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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Um meio ou um fim?

Esse texto que escrevo agora é uma reflexão ainda imatura sobre uma questão que se apresenta no dia-a-dia de praticamente todo esportista, mas que muitas vezes passa despercebida. Essa reflexão não pretende tratar do esporte de alto rendimento, nem dos campeonatos amadores ( que são outro acontecimento que merecem atenção), mas simplesmente das famosas “peladas” (rachas, ranca, e sei-lá que nomes mais recebem)

Não existe uma definição exata para o que seja uma “pelada”, porém em geral se compreende como uma reunião de pessoas, muitas vezes, mas não necessariamente, amigas, para a prática de um esporte, porém sem compromisso com competições oficiais, com regulamentos e muita vezes até mesmo com as regras. Apesar de a grande mídia, interessada com o lucro do esporte de alto rendimento, tentar nos empurrar goela abaixo que as “peladas” são secundárias, frente à espetacularização do esporte, quem participa de uma “pelada” sabe que não é bem assim. O contraditório do discurso midiático nessa questão é que eles são obrigados a negar o surgimento do esporte, pois, como mais teriam surgido as manifestações esportivas senão da reunião de indivíduos dispostos a jogar sem preocupações maiores?


Bom, mas será o que tem de tão mágico assim nessa simples prática esportiva? Por que cada vez mais indivíduos buscam um lugar para participar de suas “peladas” semanais? Não possuo aqui dados científicos para escrever sobre esses aspectos, por isso arriscarei responder a partir de dados empíricos. O primeiro ponto que merece atenção é a ludicidade presente no jogo. Não existe equação exata para o nível lúdico de um jogo, mas se existisse essa equação com certeza seria inversamente proporcional ao nível de competição. Ou em outras palavras, quanto mais responsabilidade se tem em um jogo menos se diverte nele. Se formos seguir esse raciocínio, nada melhor que uma pelada para que o jogo flua de maneira livre e prazerosa. Talvez aí esteja uma pista para entendermos ( e para profissionais de Educação Física refletirmos enquanto prática pedagógica) , do surgimento da violência no esporte, que acredito seja inversamente proporcional à ludicidade do jogo e portanto diretamente proporcional ao nível de competição.


Outro fator que merece destaque em na prática das “peladas” é o que nós temos de mais humanos, nossa necessidade de convivência. Nós, seres humanos, somos seres sociais, ou seja necessitamos nos relacionarmos com outros seres, e isso o esporte nos proporciona de uma maneira singular. Não podemos jogar sozinhos, sempre necessitamos do outro. Muitas vezes o convívio no ambiente esportivo acaba gerando brigas é verdade, mas elas são mínimas frente as relações construídas e reconstruídas nas “peladas”.  A comunicação no esporte ocorre com uma linguagem única, e é assim, e não com as amarras e pressões da alta competição,
que é possível a construção e reconstrução da cultura corporal.



Nesse sentido nós profissionais de Educação Física carecemos ainda de uma maior compreensão didático-pedagógica da utilização do esporte. Acredito que uma pista a seguirmos seja considerar o esporte como um meio, um meio de diversão, um meio de convivência humana,  e até mesmo um meio de ganha-pão dos atletas, mas nunca considerá-lo como um fim, ou seja,  nunca colocar o esporte e a vitória acima de tudo inclusive de nossa ética. Como colocado no inicio esse texto é uma reflexão inicial ainda sem muita profundidade e é por isso que conto com acolaboração de todos para aprofundarmos juntos nessa questão.

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