Esse
texto que escrevo agora é uma reflexão ainda imatura sobre uma questão que se
apresenta no dia-a-dia de praticamente todo esportista, mas que muitas vezes
passa despercebida. Essa reflexão não pretende tratar do esporte de alto
rendimento, nem dos campeonatos amadores ( que são outro acontecimento que
merecem atenção), mas simplesmente das famosas “peladas” (rachas, ranca, e sei-lá
que nomes mais recebem)
Não
existe uma definição exata para o que seja uma “pelada”, porém em geral se
compreende como uma reunião de pessoas, muitas vezes, mas não necessariamente,
amigas, para a prática de um esporte, porém sem compromisso com competições
oficiais, com regulamentos e muita vezes até mesmo com as regras. Apesar de a
grande mídia, interessada com o lucro do esporte de alto rendimento, tentar nos
empurrar goela abaixo que as “peladas” são secundárias, frente à
espetacularização do esporte, quem participa de uma “pelada” sabe que não é bem
assim. O contraditório do discurso midiático nessa questão é que eles são
obrigados a negar o surgimento do esporte, pois, como mais teriam surgido as
manifestações esportivas senão da reunião de indivíduos dispostos a jogar sem
preocupações maiores?
Bom,
mas será o que tem de tão mágico assim nessa simples prática esportiva? Por que
cada vez mais indivíduos buscam um lugar para participar de suas “peladas”
semanais? Não possuo aqui dados científicos para escrever sobre esses aspectos,
por isso arriscarei responder a partir de dados empíricos. O primeiro ponto que
merece atenção é a ludicidade presente no jogo. Não existe equação exata para o
nível lúdico de um jogo, mas se existisse essa equação com certeza seria
inversamente proporcional ao nível de competição. Ou em outras palavras, quanto
mais responsabilidade se tem em um jogo menos se diverte nele. Se formos seguir
esse raciocínio, nada melhor que uma pelada para que o jogo flua de maneira
livre e prazerosa. Talvez aí esteja uma pista para entendermos ( e para profissionais
de Educação Física refletirmos enquanto prática pedagógica) , do surgimento da
violência no esporte, que acredito seja inversamente proporcional à ludicidade
do jogo e portanto diretamente proporcional ao nível de competição.
Outro
fator que merece destaque em na prática das “peladas” é o que nós temos de mais
humanos, nossa necessidade de convivência. Nós, seres humanos, somos seres
sociais, ou seja necessitamos nos relacionarmos com outros seres, e isso o
esporte nos proporciona de uma maneira singular. Não podemos jogar sozinhos,
sempre necessitamos do outro. Muitas vezes o convívio no ambiente esportivo
acaba gerando brigas é verdade, mas elas são mínimas frente as relações construídas
e reconstruídas nas “peladas”. A
comunicação no esporte ocorre com uma linguagem única, e é assim, e não com as
amarras e pressões da alta competição,
que
é possível a construção e reconstrução da cultura corporal.
Nesse
sentido nós profissionais de Educação Física carecemos ainda de uma maior
compreensão didático-pedagógica da utilização do esporte. Acredito que uma
pista a seguirmos seja considerar o esporte como um meio, um meio de diversão,
um meio de convivência humana, e até
mesmo um meio de ganha-pão dos atletas, mas nunca considerá-lo como um fim, ou
seja, nunca colocar o esporte e a
vitória acima de tudo inclusive de nossa ética. Como colocado no inicio esse
texto é uma reflexão inicial ainda sem muita profundidade e é por isso que
conto com acolaboração de todos para aprofundarmos juntos nessa questão.
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