Bom parece que isto daqui está dando certo( nem que seja no
início). Queria agradecer a todos que visitaram e leram o primeiro
texto, e convidá-los para acompanhar mais uma
de minhas reflexões, que pretendo realizar agora. Bom, iniciarei
falando sobre uma obra de arte que me inspirou a escrever esse texto. ( Já vem esse
cara chato com os livros de novo!). Dessa vez o que me impulsionou a escrever
este texto não foi nem um livro (Não!?), mas sim uma obra cinematográfica.( To
falando que esse cara é louco!). A obra em questão é o mais novo filme do
brilhante diretor norte-americano Woody Allen. O filme denominado “Meia- noite
em Paris” é uma divertida história, que nos faz através do personagem
principal, Gil ( Owen Wilson), viajar entre o passado e o presente da capital
francesa. O interessante do filme é como Allen consegue colocar o
passado e o presente sem separação, com coisas que se confundem e se misturam,
quebrando qualquer idéia de cronologia convencional. A partir dessa obra resolvi
escrever sobre o episódiodenominado “Democracia Corinthiana” ( Lá vêm misturar as
coisas de novo!)
O episódio a que me referi ocorreu no inicio da década de
1980 no Parque São Jorge. O Corinthians vinha em uma péssima fase, e o
lendário presidente Vicente Matheus, acabava de deixar o cargo para a entrada de
Waldemar Pires, que ousadamente escolheu Adilson Monteiro Alves, um jovem
sociólogo para diretor de futebol. O novo diretor adotou um sistema de
administração descentralizado, que buscou ouvir os jogadores e fazer deles
constituintes de verdade das tomadas de decisão a partir de então no clube.
Essa nova decisão deu liberdade a jogadores como Sócrates ( socialista de
carteirinha), Casagrande (naquela época um jovem rebelde), Vladimir ( definido pelos
colegas como um cara de personalidade fortíssima) entre outros. A reunião de
apresentação do novo direto de futebol que deveria ser de apenas 15 minutos acaba
durando 6 horas e se transforma numa verdadeira assembléia. A partir de então,
com um toque de marketing do publicitário Washington Oliveto, esse modelo de
auto-gestão Corinthiano passa a ser denominado “Democracia Corinthiana”.
Essa experiência, onde tudo era escolhido por todos envolvidos no clube, dos
roupeiros ao diretor de futebol, e todos com o mesmo peso no voto, acontece em
plena efervescência da população na luta
pelo fim da ditadura e pelas “diretas já”, e veio a se tornar um símbolo na luta
pela democracia. ( Tudo bem, mas o que isso tem a ver com o filme?)
Como já falei acima a obra cinematográfica nos fazer
entender o passado com constituinte do presente e vice-versa, porém nossa
população parece carecer dessa compreensão. Todos nos orgulhamos de termos
reinstituído em nosso país a democracia, mas será que isso basta? Vivemos realmente da
maneira que desejamos? Tomemos como exemplo o caso da “Democracia Corinthiana”. É
incontestável que o projeto foi bem sucedido, levando o Corinthians a semi-final
do Campeonato Brasileiro e a dois títulos Paulistas, além de sanar a
divida do clube e deixá-lo com saldo positivo. Então por que esse modelo não é
mais adotado?
Na época os militares tentaram por meio da repressão coibir
a experiência, porém em um ambiente
a que já não era de tanto autoritarismo não havia muita coisa a ser feita pelos
mesmos, assim como
não havia como evitar efetivamente que a democracia fosse restituída no Brasil. O que impressiona é a
maneira como atualmente nos esquecemos dessas lutas. Quantos de nós tem
oportunidade de decidir realmente sobre algo? Quantos times de futebol, ou
mesmo, empresas dão oportunidades aos trabalhadores de tomar decisões? Que tipo
de democracia vivemos? Porquê não buscamos uma democracia participativa?
A impressão que tenho acerca de tudo isso é que o método de
repressão usado pelos militares para o controle da população era
extremamente ineficiente frente ao novo método de controle, o controle ideológico.
Recorrendo a Adorno, a coesão da consciência, pelo mecanismo da Indústria
Cultural ( isso vai ser assunto de outra postagem, se é que vai haver alguém pra
ler). Ou em outras palavras, nos lembramos e nos esquecemos das coisas que
“eles” querem que lembremos ou esqueçamos. Recentemente fomos levados a
esquecer, por exemplo, que a policia no campus universitário foi uma das primeiras
medidas de repressão do movimento estudantil e quebra da autonomia
universitária pelo regime militar. Fazendo um link com o a obra de Woody Allen,
acredito ser essencial para nossa formação mergulharmos no passado, mas
sem esquecermos porém que nossa superfície é o presente e é aqui que devemos
podemos modificar as coisas. Entender o passado então não é apenas admirá-lo
como algo que já foi,mas sim vivê-lo no
presente.
Parece que estou chegando ao fim do texto com mais
questionamentos que respostas, espero a ajuda de quem se dispor a ler o texto
para avançar no debate. Muito Obrigado.
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