O ser humano é capaz de produzir coisas incríveis, não duvidemos disso. Se não fosse a tecnologia produzida por nossos irmãos de espécie, possivelmente não estaria aqui digitando esse texto da minha casa, para que você pudesse ler depois, seja pelo computador, notebook, tablet, cel, etc. O ser humano é incrível. Até porque é difícil compreender, como em pleno século XXI, com tanta tecnologia ainda sejamos capazes de reproduzir babaquices como o racismo. É, realmente o ser humano é incrível, não duvide!
Recentemente o caso do vídeo contendo piadas racistas contra o colega de seleção Ângelo Assumpção, postado pelos ginastas Arthur Mariano, Felipe Arakawa e Henrique Flores, ilustra essa contradição de maneira exemplar. Atletas de alto rendimento, da seleção brasileira de ginástica, portando em mãos o que temos de mais avançado em tecnologia de comunicação, através de um aplicativo que no ápice de sua modernidade permite que compartilhemos apenas por alguns instantes um vídeo, mensagem ou imagem (SnapChat), e o que eles são capazes de produzir? Um vídeo que reproduz piadas que remetem a práticas de um Brasil escravista, que ainda enxerga o negro como inferior, como motivo de piada. Não duvide do ser humano.
O mais triste da situação é saber, como ocorre com milhões de outros negros, gays, gordos e o que mais não se encaixar "nos padrões", que não foi a primeira vez que o atleta sofreu preconceito. Aliás, como relatou a mãe do atleta, Magali de Assumpção, para se firmar na ginástica, que carrega o estereótipo de esporte de elite, Ângelo e muitos outros atletas passam por essas dificuldades.
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| Atleta vem se destacando pela seleção brasileira de ginástica |
O único ponto positivo desta história foi o fato de a Confederação Brasileira de Ginástica, ao contrário do que muitas vezes vemos no futebol e nos outros esportes, não se furtou de punir os envolvidos no episódio. No entanto, sem uma reflexão sobre como nós enquanto humanidade, somos capazes de produzir coisas incríveis, mas ao mesmo tempo reproduzir práticas e condutas dignas de outros tempos, até essa punição perde o sentido. Para encerrar o texto e contribuir nessa reflexão deixo uma frase do cineasta alemão Alexander Kluge, que pontua bem a questão:
"Se eu tivesse então que escolher entre o trabalho infantil, escravidão e Auschwitz, não escolheria o progresso"
"Se eu tivesse então que escolher entre o trabalho infantil, escravidão e Auschwitz, não escolheria o progresso"

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