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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Um celular, uma piada e uma prática do século passado.

    O ser humano é capaz de produzir coisas incríveis, não duvidemos disso. Se não fosse a tecnologia produzida por nossos irmãos de espécie, possivelmente não estaria aqui digitando esse texto da minha casa, para que você pudesse ler depois, seja pelo computador, notebook, tablet, cel, etc. O ser humano é incrível. Até porque é difícil compreender, como em pleno século XXI, com tanta tecnologia ainda sejamos capazes de reproduzir babaquices como o racismo. É, realmente o ser humano é incrível, não duvide!
     Recentemente o caso do vídeo contendo piadas racistas contra o colega de seleção Ângelo Assumpção, postado pelos ginastas Arthur Mariano, Felipe Arakawa e Henrique Flores,  ilustra  essa contradição de maneira exemplar. Atletas de alto rendimento, da seleção brasileira de ginástica, portando em mãos o que temos de mais avançado em tecnologia de comunicação, através de um aplicativo que no ápice de sua modernidade permite que compartilhemos apenas por alguns instantes um vídeo, mensagem ou imagem (SnapChat), e o que eles são capazes de produzir? Um vídeo que reproduz piadas que remetem a práticas de um Brasil escravista, que ainda enxerga o negro como inferior, como motivo de piada. Não duvide do ser humano.
      O mais triste da situação é saber, como ocorre com milhões de outros negros, gays, gordos e o que mais não se encaixar "nos padrões", que não foi a primeira vez que o atleta sofreu preconceito. Aliás, como relatou a mãe do atleta, Magali de Assumpção, para se firmar na ginástica, que carrega o estereótipo de esporte de elite, Ângelo e muitos outros atletas passam por essas dificuldades. 

Atleta vem se destacando pela seleção brasileira de ginástica

      O único ponto positivo desta história foi o fato de a Confederação Brasileira de Ginástica, ao contrário do que muitas vezes vemos no futebol e nos outros esportes, não se furtou de punir os envolvidos no episódio. No entanto, sem uma reflexão sobre como nós enquanto humanidade, somos capazes de produzir coisas incríveis, mas ao mesmo tempo reproduzir práticas e condutas dignas de outros tempos, até essa punição perde o sentido. Para encerrar o texto e  contribuir nessa reflexão deixo uma frase do cineasta alemão Alexander Kluge, que pontua bem a questão:

"Se eu tivesse então que escolher entre o trabalho infantil, escravidão e Auschwitz, não escolheria o progresso"

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Rogério Ceni revolucionou o futebol.. e não foi (só) por bater faltas

    Semana passada, após a eliminação do São Paulo da Libertadores, Rogério Ceni, disse em entrevista que aquele teria sido seu último jogo pela competição, e que se aposenta em Agosto, no término de seu contrato. Acho pouco provável que Rogério mude de opinião como já fez outras vezes, sendo assim estamos vivenciando a despedida de um dos maiores goleiros de todos os tempos. É verdade que nos últimos anos Rogério Ceni não vinha repetindo suas atuações magistrais de outrora, mas também pudera, o goleiro já tem seus 42 anos. |Para além disso, devemos reconhecer o goleiro São Paulino como um daqueles atletas que marcaram época e ajudaram a transformar o futebol. Concordam? Eu argumento
        Em primeiro lugar devemos reconhecer a eficiência do jogador na função primordial do goleiro: Defender. Penso que o jogador muitas vezes não tem o merecido reconhecimento por suas defesas, e isso pode se dar por diversos fatores, dentre eles o fato de Rogério não ser daqueles típicos goleiros que gostam de "aparecer para a foto". Aliás, o estilo do São Paulino me lembra muito o de outro goleiro que acredito esteve entre os grandes de todos os tempos: Taffarel. Ambos guarda-redes tinham o posicionamento como principal característica e, raramente pulavam em bolas que acreditavam que não iam defender só para aparecer na imagem. Ponto para Rogério em um mundo onde fazer sua imagem tem feito mais sentido do que ser realmente eficiente.
        Um segundo ponto a destacar na carreira do goleiro São Paulino é o número de gols marcados, 127 até o momento. Exímio batedor de faltas Rogério pode se orgulhar de carregar consigo o título de maior goleiro artilheiro, além de ter ainda outras marcas expressivas como: o maior número de vezes como capitão de uma equipe (950 jogos) e o maior número de vitórias por um time (590). Mais um ponto para Rogério em um futebol cada vez mais mercadológico e carente de ídolos que se identificam com uma equipe. Aqui cabe citar outro grande goleiro da geração de Ceni, Marcos, que construiu sua carreira todo no  Palmeiras e preferiu disputar a série B pela equipe do que se transferir para o Manchester United. Ponto pros dois.

No detalhe grande defesa de Rogério no Mundial de Clubes contra o Liverpool-ING


        Mas o que quero chamar atenção sobre Rogério é algo que raramente é comentado pelos críticos esportivos. Se hoje tem se tornado comum goleiros que jogam como "líberos" como Neuer no Bayern/ Alemanha, ou Ter Stegen do Barcelona, há um tempo atrás isso era impensável no futebol. Se não podemos afirmar que Rogério inventou isso, já que Chilavert e Van der Sar já jogavam de forma parecida, podemos falar com certeza que o goleiro São Paulino aperfeiçoou e mostrou que era possível um time ser vencedor com esse estilo de jogo. Basta ver os títulos do São Paulo tendo Ceni como titular: 1 Mundial, 1 Libertadores,1 Sul Americana, 3 Brasileiros e 3 Paulistas. Ao que tudo indica teremos em 2015 a despedida do gramado de mais um dos grandes nomes da história do futebol, resta saber como nossa imprensa abordará o assunto, já que ao que tudo indica Rogério não é daqueles que jogam o jogo dos chefões do futebol nacional. 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Como anda nosso futebol?

        Muita coisa mudou no mundo desde a última vez que escrevi nesse blog. No futebol não foi diferente e fatos marcantes ocorreram. Talvez o maior e mais traumático tenha sido a derrota em casa da seleção brasileira para a Alemanha. Jogando no Mineirão o Brasil, como todos cansaram de ver e rever, levou um verdadeiro chocolate da equipe que se sagraria campeã do mundo. O episódio, que gerou enorme repercussão mundial deveria ter servido para alertar os responsáveis pelo nosso futebol que paramos no tempo, que precisamos evoluir, precisamos modernizar (dentro e fora de campo) nosso futebol. Mas parece que não é isso que vem ocorrendo.
            De início a CBF prometeu reformulação e de cara trocou o treinador da seleção Brasileira, mandando Felipão embora e trazendo Dunga de volta. Apesar da desconfiança da maioria, acredito que Dunga não é a pior das opções (nem a melhor), pois é um treinador que gosta de estudar o futebol e tem grande preocupação tática ao armar suas equipes. Com uma geração melhor do que aquela que ele possuía na Copa de 2010 o treinador parece estar montando um bom time, que vem apresentando, até agora um futebol bastante convincente. Vejamos como o Brasil se comportará na Copa América.
            Mas as notícias boas param por ai. Juntamente com Dunga a CBF havia anunciado Alexandre Gallo para o novo treinador das seleções de base do Brasil. A ideia era que o treinador trabalhasse em conjunto com Dunga, buscando uma reestruturação a longo prazo do nosso futebol. O trabalho de Gallo não vinha rendendo bons frutos é verdade, mas a atitude tomada pela CBF foi digna de uma Federação amadora (e das bens ruins). Pra que não sabe o que houve a CBF simplesmente demitiu o treinador depois do mesmo ter anunciado a convocação para o Mundial sub-20 . Com isso Dunga assumirá o comando da seleção olímpica também. O mais bizarro é que no mundial quem comandará a seleção ;e Rogério Micale e o treinador terá que comandar os jogadores que Gallo escolheu e convocou, ou seja, desorganização digna de mais um gol da Alemanha.
            Como se não bastasse esse episódio, a CBF deu mais uma de suas demonstrações de mediocridade na abertura do campeonato Brasileiro ao mandar cobrir no estádio do Palmeiras o nome Alianz, oriundo de uma venda de direitos do clube Paulista a empresa alemã. Não que eu seja defensor da comercialização do esporte e do controle do mesmo pelas empresas privadas, mas o fato é que a empresa investiu em um futebol brasileiro decadente, e não pode simplesmente ter seu nome censurado. Aliás, falando em censura, esse fato me aparentou uma briga de Fascistas autoritários (representados pela CBF e pela Rede Globo que teve participação direta no episódio) contra o capitalismo liberal. Pra saber no que isso deu historicamente, é só relembrarmos da Segunda Guerra Mundial. Mais ridículo que o episódio, só a justificativa da CBF de que o erro teria ocorrido por “excessode zelo” de uma empresa terceirizada contratada por ela . O mais irônico de tudo, se quisermos fazer um paralelo do nosso futebol com o dos nossos carrascos na Copa do Mundo é que o estádio do maior clube da Alemanha se chama justamente Alianz Arena.


Estádio do Bayern leva o mesmo nome da patrocinadora do Palmeiras
.

Palmeiras foi obrigado a tampar o logotipo da patrocinadora durante partida contra o Atlético-MG.


            Se a CBF faz de tudo para atrasar o futebol Brasileiro isso não é exclusividade dela, como podemos ver, por exemplo, na defesa de alguns dirigentes pela volta do campeonato Brasileiro ao modelo de mata-mata. O argumento utilizado, de que o mata-mata traria “mais emoção” é completamente sem sentido, uma vez que nesse modelo já temos a Copa do Brasil, a Libertadores e a Copa Sul-Americana. O que me parece transparecer nesse discurso é a velha recusa do futebol brasileiro em deixar de ser imediatista e aprender a se organizar a longo prazo.

            Enfim, todos esses episódios nos mostram o quanto nosso futebol precisa ainda evoluir se quiser retomar o lugar entre os melhores do mundo. Para isso necessitamos urgentemente utilizarmos mais de nosso Bom Senso.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

E começam os estaduais

       Depois de um bom tempo sem escrever, estou aqui de volta. Primeiramente queria falar que esse espaço de tempo que fiquei sem escrever foi apenas por falta de idéias mesmo. Quero fazer desse blog um local onde eu possa fazer minhas reflexões quando achar necessário, e não me sentir obrigado a escrever periodicamente.


            Bom o que quero falar hoje é sobre o papel que o futebol representa na grande mídia hoje. Fica claro que o esporte, principalmente o futebol é um das atrações mais lucrativas para as emissoras de TV atualmente. Essas emissoras vêem o futebol apenas como um objeto de lucro e não se preocupam nem com os clubes, nem com os jogadores e muito menos com os torcedores (pois o trabalhador tem que esperar a partida de seu clube acabar a meia-noite para ir trabalhar na manhã seguinte).


         Mas o fato que me chamou a atenção recentemente foi quanto a grande mídia está dependente do futebol. Isso mesmo. Isso pode ser demonstrado, pelo fato que nesse final/inicio de ano, as emissoras fazem de tudo para colocar a venda e a troca de jogadores como assunto de interesse de todos, e tenta nos faze assistir esses campeonatos juvenis ( o contraditório disso tudo é que durante o restante do ano, não é dada nenhuma informação sobre as categorias de base de nenhum clube). Recorrendo ao pensamento de Türcke ( e com auxilio de um belíssimo insight que meu amigo Perdões teve em sua monografia) podemos notar a inversão do sentido da palavra noticia. Inicialmente noticia era aquilo que era importante e merecia ser noticiado, porem com o advento do capitalismo e a emancipação da imprensa isso se modificou, e, atualmente algo passa a ser importante por que foi noticiado. Isso explica também pra mim o fato de as pessoas se interessarem por idiotices como o BBB ou alguém que voltou não sei da onde. Com o inicio dos estaduais a mídia tem um refresco para si, pois esses campeonatos ( que realmente possuem seu charme) são produtos mais fáceis de serem vendidos e, mesmo que, no restante do ano sejam totalmente ignorados pelos comentaristas esportivos, nesse momento é elevado ao mais alto lugar de importância na programação.



            È, esse é o discurso da grande mídia, a mesma que consegue colocar a culpa nos moradores por estarem sendo expulsos de suas residências! Abraços.

Um meio ou um fim?

Esse texto que escrevo agora é uma reflexão ainda imatura sobre uma questão que se apresenta no dia-a-dia de praticamente todo esportista, mas que muitas vezes passa despercebida. Essa reflexão não pretende tratar do esporte de alto rendimento, nem dos campeonatos amadores ( que são outro acontecimento que merecem atenção), mas simplesmente das famosas “peladas” (rachas, ranca, e sei-lá que nomes mais recebem)

Não existe uma definição exata para o que seja uma “pelada”, porém em geral se compreende como uma reunião de pessoas, muitas vezes, mas não necessariamente, amigas, para a prática de um esporte, porém sem compromisso com competições oficiais, com regulamentos e muita vezes até mesmo com as regras. Apesar de a grande mídia, interessada com o lucro do esporte de alto rendimento, tentar nos empurrar goela abaixo que as “peladas” são secundárias, frente à espetacularização do esporte, quem participa de uma “pelada” sabe que não é bem assim. O contraditório do discurso midiático nessa questão é que eles são obrigados a negar o surgimento do esporte, pois, como mais teriam surgido as manifestações esportivas senão da reunião de indivíduos dispostos a jogar sem preocupações maiores?


Bom, mas será o que tem de tão mágico assim nessa simples prática esportiva? Por que cada vez mais indivíduos buscam um lugar para participar de suas “peladas” semanais? Não possuo aqui dados científicos para escrever sobre esses aspectos, por isso arriscarei responder a partir de dados empíricos. O primeiro ponto que merece atenção é a ludicidade presente no jogo. Não existe equação exata para o nível lúdico de um jogo, mas se existisse essa equação com certeza seria inversamente proporcional ao nível de competição. Ou em outras palavras, quanto mais responsabilidade se tem em um jogo menos se diverte nele. Se formos seguir esse raciocínio, nada melhor que uma pelada para que o jogo flua de maneira livre e prazerosa. Talvez aí esteja uma pista para entendermos ( e para profissionais de Educação Física refletirmos enquanto prática pedagógica) , do surgimento da violência no esporte, que acredito seja inversamente proporcional à ludicidade do jogo e portanto diretamente proporcional ao nível de competição.


Outro fator que merece destaque em na prática das “peladas” é o que nós temos de mais humanos, nossa necessidade de convivência. Nós, seres humanos, somos seres sociais, ou seja necessitamos nos relacionarmos com outros seres, e isso o esporte nos proporciona de uma maneira singular. Não podemos jogar sozinhos, sempre necessitamos do outro. Muitas vezes o convívio no ambiente esportivo acaba gerando brigas é verdade, mas elas são mínimas frente as relações construídas e reconstruídas nas “peladas”.  A comunicação no esporte ocorre com uma linguagem única, e é assim, e não com as amarras e pressões da alta competição,
que é possível a construção e reconstrução da cultura corporal.



Nesse sentido nós profissionais de Educação Física carecemos ainda de uma maior compreensão didático-pedagógica da utilização do esporte. Acredito que uma pista a seguirmos seja considerar o esporte como um meio, um meio de diversão, um meio de convivência humana,  e até mesmo um meio de ganha-pão dos atletas, mas nunca considerá-lo como um fim, ou seja,  nunca colocar o esporte e a vitória acima de tudo inclusive de nossa ética. Como colocado no inicio esse texto é uma reflexão inicial ainda sem muita profundidade e é por isso que conto com acolaboração de todos para aprofundarmos juntos nessa questão.

"Meia noite" no Parque São Jorge

Bom parece que isto daqui está dando certo( nem que seja no início). Queria agradecer a todos que visitaram e leram o primeiro texto, e convidá-los para acompanhar mais uma  de minhas reflexões, que pretendo realizar agora. Bom, iniciarei falando sobre uma obra de arte que me inspirou a escrever esse texto. ( Já vem esse cara chato com os livros de novo!). Dessa vez o que me impulsionou a escrever este texto não foi nem um livro (Não!?), mas sim uma obra cinematográfica.( To falando que esse cara é louco!). A obra em questão é o mais novo filme do brilhante diretor norte-americano Woody Allen. O filme denominado “Meia- noite em Paris” é uma divertida história, que nos faz através do personagem principal, Gil ( Owen Wilson), viajar entre o passado e o presente da capital francesa. O interessante do filme é como Allen consegue colocar o passado e o presente sem separação, com coisas que se confundem e se misturam, quebrando qualquer idéia de cronologia convencional. A partir dessa obra resolvi escrever sobre o episódiodenominado “Democracia Corinthiana” ( Lá vêm misturar as coisas de novo!)


O episódio a que me referi ocorreu no inicio da década de 1980 no Parque São Jorge. O Corinthians vinha em uma péssima fase, e o lendário presidente Vicente Matheus, acabava de deixar o cargo para a entrada de Waldemar Pires, que ousadamente escolheu Adilson Monteiro Alves, um jovem sociólogo para diretor de futebol. O novo diretor adotou um sistema de administração descentralizado, que buscou ouvir os jogadores e fazer deles constituintes de verdade das tomadas de decisão a partir de então no clube. Essa nova decisão deu liberdade a jogadores como Sócrates ( socialista de carteirinha), Casagrande (naquela época um jovem rebelde), Vladimir ( definido pelos colegas como um cara de personalidade fortíssima) entre outros. A reunião de apresentação do novo direto de futebol que deveria ser de apenas 15 minutos acaba durando 6 horas e se transforma numa verdadeira assembléia. A partir de então, com um toque de marketing do publicitário Washington Oliveto, esse modelo de auto-gestão Corinthiano passa a ser denominado “Democracia Corinthiana”. Essa experiência, onde tudo era escolhido por todos envolvidos no clube, dos roupeiros ao diretor de futebol, e todos com o mesmo peso no voto, acontece em plena efervescência da população na luta  pelo fim da ditadura e pelas “diretas já”, e veio a se tornar um símbolo na luta pela democracia. ( Tudo bem, mas o que isso tem a ver com o filme?)


Como já falei acima a obra cinematográfica nos fazer entender o passado com constituinte do presente e vice-versa, porém nossa população parece carecer dessa compreensão. Todos nos orgulhamos de termos reinstituído em nosso país a democracia, mas será que isso basta? Vivemos realmente da maneira que desejamos? Tomemos como exemplo o caso da “Democracia Corinthiana”. É incontestável que o projeto foi bem sucedido, levando o Corinthians a semi-final do Campeonato Brasileiro e a dois títulos Paulistas, além de sanar a divida do clube e deixá-lo com saldo positivo. Então por que esse modelo não é mais adotado?


Na época os militares tentaram por meio da repressão coibir a experiência, porém  em um ambiente a que já não era de tanto autoritarismo não havia muita coisa a ser feita pelos mesmos, assim como
não havia como evitar efetivamente que  a democracia fosse restituída no Brasil. O que impressiona é a maneira como atualmente nos esquecemos dessas lutas. Quantos de nós tem oportunidade de decidir realmente sobre algo? Quantos times de futebol, ou mesmo, empresas dão oportunidades aos trabalhadores de tomar decisões? Que tipo de democracia vivemos? Porquê não buscamos uma democracia participativa?


A impressão que tenho acerca de tudo isso é que o método de repressão usado pelos militares para o controle da população era extremamente ineficiente frente ao novo método de controle, o controle ideológico. Recorrendo a Adorno, a coesão da consciência, pelo mecanismo da Indústria Cultural ( isso vai ser assunto de outra postagem, se é que vai haver alguém pra ler). Ou em outras palavras, nos lembramos e nos esquecemos das coisas que “eles” querem que lembremos ou esqueçamos. Recentemente fomos levados a esquecer, por exemplo, que a policia no campus universitário foi uma das primeiras medidas de repressão do movimento estudantil e quebra da autonomia universitária pelo regime militar. Fazendo um link com o a obra de Woody Allen, acredito ser essencial para nossa formação mergulharmos no passado, mas sem esquecermos porém que nossa superfície é o presente e é aqui que devemos podemos modificar as coisas. Entender o passado então não é apenas admirá-lo como algo que já foi,mas sim  vivê-lo no presente.


Parece que estou chegando ao fim do texto com mais questionamentos que respostas, espero a ajuda de quem se dispor a ler o texto para avançar no debate. Muito Obrigado.

Porquê desESPORTE?


                Você que está começando a ler meu blog (se é que alguém vai se interessar por isso aqui) já deve ter estranhado o nome (ou não né, nunca se sabe). Bom mas para aqueles que não desistiram de ler logo no título vou tentar contextualizar um pouco a idéia deste blog, iniciando justamente pelo título. A idéia é falar sobre esporte (sério? deve ser por isso que o blog tem esse nome né) mas não da maneira convencional ou seja não quero aqui reproduzir o discurso hegemônico na grande midia esportiva, a idéia, então, é buscar um outro olhar para essa manifestação esportiva. Mas que outro olhar é esse?
                Para responder esse questionamento vou contextualizar um pouco sobre quem eu sou. Recém licenciado em Educação Fisica pela Universidade Federal de Lavras, eu sou acima de tudo um apaixonado pelo esporte, porém minha formação enquanto ser humano e principalmente enquanto professor de Educação Física me trouxeram em muitos momentos dúvidas e mais dúvidas quanto ao papel do esporte na sociedade. Alguns momentos cheguei a inclusive negar essa manifestação, por enxergá-la como um instrumento de alienação. Porém com o passar do tempo e principalmente a partir das discussões que fui tendo, me propus a discutir no meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), como o esporte poderia contribuir na formação humana e os limitantes para que isso se concretize na sociedade conteporânea. Para solucionar esse problema fui buscar auxílio na filosofia.(o quê? mas espere aí você não estava estudando Educação Fisica?)
                Durante minha formação tomei contato com alguns autores da denominada Escola de Frankfurt, esses filósofos fazem parte de uma corrente de pensamento da sociedade conteporanea baseado no Marxismo, porém não ortodoxa, e, portanto, subsidiada também por autores como Freud, Kant, Hegel entre outros. A partir dessa corrente de pensamento busquei discutir o esporte juntamente com o desenvolvimento da sociedade como um todo, tentando apontar sempre para a busca de um esporte ético e que se baseie pelo prazer da prática e não seja meramente um instrumento de busca de lucros como vemos hoje. Mas afinal. o que deu dessa mistura maluca de Filosofia + Educação Física?
                Na construção do meu TCC me deparei com a necessidade de estarmos continuamente pensando e repensando o esporte de uma maneira que não a hegemônica ou seja olharmos criticamente para esse fenômeno de maneira a buscarmos reconstrui-lo sempre na busca de fazer desse fenômeno um ferramenta que contribua para a formação de seres humanos emancipados ( essa é outra discussão que pretendo fazer aqui, se isso aqui for pra frente). Dessa bagunça toda surgiu também a idéia de fazer um blog, onde pudesse postar rotineiramente minhas reflexões sobre o esporte e principalmente pudesse ver os comentários dos outros sobre o que eu penso.
                Bom acho que é isso, não falta nada não né? A sim... o restante  do nome do blog. Bom a idéia do sufixo "des" veio de uma obra literária que acabei de ler: 1984, do escritor George Orwell ( a literatura é outra de minhas paixões, cara maluco né?). Bom essa obra futuristica retrata um cenário altamente controlado, com pessoas alienadas que se deixam levar por uma teletela e por um tal de Big Brother ( qualquer semelhança com o presente não é  mera coincidência). Nesse contexto a lingua oficial falada é modificada de maneira a facilitar o controle dos individuos e os antônimos desaparecem, assim, tudo que signifique o contrário de algo é expresso apenas pelo acréscimo do sufixo "des". Ex: raiva vira "desamor", claro vira "desescuro'.O bacana dessa forma de nomear é que ela não separa os opostos, mas os vê apenas como algo difente . Em outras palavras o claro não é o oposto do escuro, mas apenas, a ausência do mesmo. Assim quando pensei no nome "desesporte" não queria falar sobre o contrário de esporte, mas sim algo que seja o esporte mas que possa ser diferente do formato assumido pelo mesmo de hoje. (Confuso né? a mas quem disse que era para facilitar?).

                Agora sim acho que está aqui tudo que eu queria dizer, se alguém se interessar por ler esse texto e tiver algum comentário, critica, xingamento, ou qualquer outra coisa pra escrever por favor o faça. Abraços!